Revestrés

23/09/2017
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Phylippe Moura

Não vejam trailers

Eu não vejo trailer. Já faz um bom tempo. E vou contar: minha vida com o cinema melhorou bastante.

Porém atitudes surreais geram dramas surreais.

Minhas idas ao cinema se tornaram uma tortura, ainda mais hoje em dia que um filme no cinema dura no mínimo umas 3 horas. Uma hora de propaganda, uma hora e trinta de filme e meia hora de “essa sala está segura, temos extintores em cada ponta, por favor desligue o celular”.

No intervalo de tudo isso tem mais duas horas de trailers.

Você percebe na hora. O som muda, a imagem aumenta e plow: lá vem um trailer de três minutos contando o filme inteiro.

Eu não sei se vocês sabem, mas tem muita gente ganhando dinheiro contando o filme em três minutos. Esses caras, sim, são eles mesmos os “fazedores de trailer.”

Eis que começam os trailers. THIS SUMMER. Uou! Lá vem o verão e você pensa “Bicho, THIS SUMMER no Piauí é o ano inteiro”, mas tudo bem.

A sensação que eu tenho vendo um trailer é a mesma de um vampiro vendo a luz do sol. MY EYES!

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Quero correr. Não quero saber. Me diga quando vai ser lançado e tudo bem. Socorro!

O grande barato da vida é se surpreender e os trailers fazem justamente o contrário. Você vê o filme justamente pra comprovar o que o cara quase disse em 3 minutos picotados entre cartelas e duas cenas que não entraram no filme.

Eu tenho saudades de ir na locadora e alugar um filme. Era um experiência sensacional. Você via as pessoas felizes em levar o Soldado Universal com o Dolph Lundgren pra casa. Aliás cadê ele? Enfim, você fazia amizade com os funcionários da locadora. Mas diante desse ritual inteiro o que eu odiava era chegar em casa, botar a fita no videocassete e ver aquela sequência de trailers.

Me fala o nome do filme. Me diz quem é o ator. Me fala do diretor ou se tá bombando no Cinépolis ou, sei lá, em Tribeca. Mas não me faz ver um trailer.

Eu tenho uma teoria. O Netflix bomba muito porque não tem trailer. Os downloads de filmes dão certo porque não tem trailer. Tá, ok, exagero. Te odeio trailer.

Mal humor e brincadeiras à parte experimente ver filmes sem assistir os 2:37 de trailer.

A vida foi feita para se surpreender. É diante de uma surpresa que a gente aprende, chora, levanta, abraça e beija. Você não recebe um trailer do seu emprego novo, do namorado novo, da sua viagem de férias. Imagina se visse? Seria muito sem graça.

Entrar no cinema sabendo no máximo quem é o autor, diretor ou se seu amigo do trabalho indicou é uma das melhores sensações. Vai por mim.

Faz o teste e depois me conta.

Vocês precisam conhecer Asghar Farhadi

Para quem não conhece, eu vos apresento.

Asghar Farhadi é um dos melhores diretores e roteiristas do cinema mundial atualmente. Nascido em Teerã, no Irã, o cineasta acabou de ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou, mas não foi buscar. Em um ato de grandeza boicotou a festa devido a medida do presidente americano em negar o trânsito de pessoas de 7 países, incluindo o Irã, nas terras do Tio Trump.

“Ui, Phylippe. Ashrafgd num sei que. Irã. Lá vem o hipster. Só gosta de filme com raminho na capa.”

Nada disso.

O papo aqui é pra quem gosta de assistir boas histórias, ver grandes atores e o talento de quem sabe fazer isso magistralmente.

Farhadi evidencia em seus filmes não só talento de quem sabe contar um boa história, mas revela um olho absurdo para colocar na tela um conflito casual.

Ele nos lembra que a correria do dia a dia, diante dos bombardeios de informações, nos fazem esquecer que existem embates humanos trágicos a cada esquina.

Se soubéssemos o que acontece na vizinhança teríamos mais compartilhamentos do que o meme do dia.

Eu vou dar exemplos sem spoiler dos últimos 3 filmes do iraniano.

A Separação: Nader se separa da esposa. Ele fica em casa com o pai idoso e contrata uma mulher para ajudar a cuidar do pai doente. Eis que em uma discussão Nader empurra Razieh, causando um transtorno para sua vida e da enfermeira. Detalhe: Razieh foi empurrada grávida.

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O Passado: Ahman abandona a esposa e filhos para retornar ao país de origem. Depois de quatro anos ele volta para estreitar a relação da família.

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O Apartamento: Um casal de atores tem que se mudar urgente de onde moram. No novo apartamento eles dão de cara com um conflito que envolve a antiga inquilina.

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Pequeno embates. Grandes atores e uma direção impecável.

Dos últimos 3 filmes o diretor iraniano foi indicado 2 vezes ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro. Ele ganhou as duas vezes.

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Corram atrás da filmografia dele e depois me digam algo sobre ele.

Não vão se arrepender.

Asghar Farhadi é uma aula.

And the Oscar goes to

Bem, meus amigos.
O Oscar 2017 acontece neste domingo e a grande pergunta é: quem vai desfilar na Globo, as escolas de samba ou as estrelas do cinema americano?
Falando do Oscar, ao que tudo indica La La Land vai arrebatar boa parte das estatuetas. Nas últimas semanas Moonlight ganhou força. E a prestação de contas da Academia  com o esquecimento dos negros na edição passada pode influenciar. Mas não imagino grandes surpresas.
Então vamos lá. Em um bolão rápido vou dizer quem deve ganhar e quem eu acho que deveria ganhar.
Bom carnaval e bom Oscar a todos.
Melhor Filme
Vai ganhar: La La Land
Eu queria: Manchester à beira mar
Melhor Diretor
Vai ganhar: Damien Chazelle (La La Land)
Eu queria: Kenneth Lonergan (Manchester à beira mar)
Melhor Atriz
Vai ganhar: Emma Stone (La La Land)
Eu queria: Amy Adams (A Chegada) ela nem foi indicada
Melhor Ator
Vai ganhar: Denzel Washigton (Um Limite Entre Nós)
Eu queria: Casey Affleck (Manchester à beira mar)
Melhor Ator Coadjuvante
Vai ganhar: Mahershala Ali (Moonlight)
Eu queria: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Melhor Atriz Coadjuvante
Vai ganhar: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
Eu queria: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
Melhor Roteiro Original
Vai ganhar: Damien Chazelle (La La Land)
Eu queria: Kenneth Lonergan (Manchester à beira mar)
Melhor Roteiro Adaptado
Vai ganhar: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney (Moonlight)
Eu queria: Eric Heisserer (A Chegada)
Melhor Animação
Vai ganhar: Zootopia
Eu queria: Zootopia
Melhor Longa Estrangeiro
Vai ganhar: O Apartamento
Eu queria: O Apartamento
Melhor Canção Original
Vai ganhar: “City of Stars” (La La Land)
Eu queria: “City of Stars” (La La Land)
Melhor Documentário em Longa-Metragem
Vai ganhar: O.J.: Made In America
Eu queria: 13ª Emenda
Melhor Fotografia / Maquiagem e Cabelo / Mixagem de Som /  Edição de Som /  Design de Produção / Edição / Trilha Sonora 
Vai ganhar: Linus Sandgren – La La Land: Cantando Estações
Eu queria: Linus Sandgren – La La Land: Cantando Estações
Melhores Efeitos Visuais
Vai ganhar:Kubo e as Cordas Mágicas
Eu queria:Kubo e as Cordas Mágicas

Os negros no Oscar 2017

 

Ano passado o mundo inteiro foi às ruas e redes sociais perguntar para a academia de artes e ciências cinematográficas: onde estão os negros na premiação de vocês?

Para quem não lembra aconteceu o seguinte. Existia um bom número de filmes com negros atuando, dirigindo, produzindo, cantando, representando e tudo. Quando chegou a hora de mostrar o catálogo de indicações não tinha absolutamente nenhum negro. Muito pelo contrário,. Você cavava, procurava e encontrava o Matt Damon perdido em Marte. Aí não.

O Oscar 2016 poderia ter colocado o Michael B Jordan de Creed, que vá lá, não é tudo isso, mas estamos falando do Oscar, não do Tribeca. Straight Outta Compton é um filmaço. Do começo ao fim. Poderia perfeitamente comparecer a mais indicações, além de melhor roteiro. Beats of no Nation foi outro colocado de lado. Particularmente não gosto do filme, mas o mundo inteiro aplaudiu, principalmente o Idris Elba.

Foi ridículo. Tanto que o Spike Lee boicotou. O Will Smith também. A Jada Pinkett-Smith idem e ainda criaram uma hashtag #Oscarsowhite.

Só para apoiar o que eu tô falando tem um trecho muito bacana no Jornal Nexo.

Estrelas além do tempo

Estrelas além do tempo

“A Academia tem mais de 5 mil membros que votam para selecionar os indicados e os vencedores ao prêmio. Um levantamento do jornal “L.A. Times” mostrou que ela é formada basicamente por brancos (94%) e homens (77%). Apenas 2% dos membros da academia são negros.

O resultado disso se reflete na premiação: em oito décadas de Oscar, apenas 4% dos premiados são negros.

Eis que chegamos a 2017 e fomos surpreendidos. A academia, timidamente, olhou para grandes filmes com negros dirigindo, atuando, produzindo, dançando, representando e compondo.

Tem Denzel Washington candidato a melhor diretor e ator por “Cercas”, que e concorre a melhor filme com “Estrelas além do tempo”, “Moonlight: Sob a luz do luar”. Ruth Negga foi indicada a melhor atriz por “Loving“. Naomi Harris em “Moonlight: Sob a luz do luar”, Octavia Spencer por “Estrelas além do tempo” e Viola Davis em “Cercas”, também foram indicadas a melhor atriz coadjuvante. Mahershala Ali a melhor ator coadjuvante por “Moonlight: Sob a luz do luar”. E na categoria de melhor documentário dos cinco indicados, três abordam temáticas envolvendo o racismo. São eles: “I am no your negro”, “O.J. Made in America” (disponível na ESPN) e “13th” (disponível no Netflix).

É isso, academia. Estou esperando os próximos 237 anos de Oscar para ter certeza que 2017 não foi apenas uma prestação de contas.

Por dentro do Oscar 2017

Começo de ano é certo: a temporada de prêmios aquece e movimenta os cinemas no mundo inteiro.

E para estender o tapete vermelho pela primeira vez aqui no blog, trago uma lista de 10 filmes para ninguém ficar por fora do assunto ou com a mão no queixo na mesa do bar enquanto os amigos debatem.

Toma nota!

 

A Chegada

arrival_amy_adams_screenshot_h_2016Nos últimos anos o gênero sci-fi tem nos trazido ótimos filmes. Interstellar e Ex- Machina são dois ótimos exemplos. O mais novo desse segmento é “ A Chegada”, que conta com uma atuação exuberante de Amy Adams. O filme tem direção de um dos melhores diretores do nosso tempo, Dennis Villenueve.

 

 

A Qualquer Preço

waterUm policial em seu último dia de serviço investiga um caso de dois irmãos assaltantes de bancos. Clichê do clichê. Porém, com um roteiro envolvente, “A Qualquer Preço” vai além do básico e mostra a crise financeira nos Estados Unidos in loco. Cidades abandonadas, pacatas, sem emprego e sem perspectivas. O filme conta com um elenco inspirado e uma atuação imperdível de Jeff Bridges.

 

 

Capitão Fantástico

maxresdefaultO capitão da família é Viggo Mortensen. Um pai apaixonado pelos filhos, com ideias fortes e que abomina os padrões impostos pela sociedade. Mortensen comanda o elenco do filme com momentos roadmovie, musical e muito drama. Veja com urgência.

 

 

Sully

Brody-Clint-Eastwoods-Sully-Existential-Burden-1200O Capitão Chesley Sully salvou 155 passageiros em um pouso forçado no Rio Hudson, em Nova York. Uma história dessa é claro que Hollywood não ia deixar passar. O filme é o mais novo longa de Clint Eastwood, que dirige Tom Hanks na pele de Sully. Mesmo sabendo o final a trama envolve, trazendo um grande filme.

 

13th

13th-netflix-documentary-trailer3Esse documentário mostra as entranhas da 13ª emenda da Constituição Americana, que aboliu a escravatura nos Estados Unidos. A direção é de Ava Duvernay, que mostrou a história de Martin Luther King em “Selma”. O doc é um dos 12 finalistas para vencer o Oscar de  documentário e está muito fácil de assistir. Está no Netflix.

 

La La Land

LaLaLandDestaqueUm dos filmes mais elogiados pela crítica é o musical “La La Land”, de Damien Chezelle (Whiplash). Com um show de Ryan Gosling e Emma Stone o longa não perde o ritmo em nenhum minuto.

 

 

 

Fence

downloadDenzel Washigton faz barba, cabelo e bigode em Fence. Ele atua e dirige um catador de lixo que sonha ser jogador de beisebol. O ator e diretor ainda tem a companhia de uma das melhores atrizes do momento, a Viola Davis. Olho neles.

 

 

 

Manchester à beira-mar

43657436-e1484233158891Casey Affleck, o bom ator da família Affleck, e Michelle Williams, protagonizam um dos dramas mais premiados da temporada. Casey é um dos favoritos ao Oscar de melhor ator e acabou de ganhar o Globo de Ouro de melhor ator dramático.  O filme é do Kenneth Lonergan, roteirista de “Gangues de Nova York”.

 

 

O Apartamento

SalesmanÉ o novo filme do iraniano Asghar Farhadi, de “O Passado” e “A Separação”. Além disso o filme está entre os 9 pré-selecionados para o Oscar de Filme Estrangeiro. 

 

 

 

Jackie

natalie-portman-jackieNatalie Portman vem com tudo no papel de Jacqueline Kennedy. A atriz é a favoritaça ao Oscar de Melhor Atriz esse ano. O filme tem direção do chileno Pablo Larrían de “Gloria” e “Neruda”.

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