Revestrés

20/02/2018
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Luana Sena

Amar e escrever à máquina

Battle of the sexes

Eu estou completamente envolvida com esse filme. A metáfora do jogo de tênis como um simulacro da nossa disputa de poder diária, por si só, já é perfeita – nem precisava ser história real, mas é, e isso deixa tudo ainda mais empolgante. A coisa chega ao ápice quando lança assim na cara o empoderamento feminino, em toda a sua dimensão: profissional, amorosa, sexual. Eu sei que Billie Jean King ainda tá bem viva, então fica expresso aqui publicamente o meu desejo de abraça-la por um pequeno momento.

 

Tenho pensado muito na vida como os ringues diários que enfrentamos. Nós, mulheres. Não só por ter visto esse filme, mas por todos os 7×1 do dia a dia. Lendo o livro da Rebecca Solnit (A mãe de todas as perguntas), me convenço de que o segredo está, realmente em dois pontos: empatia e resiliência, embora a autora não use exatamente essa palavra. Empatia o trabalho de contar histórias me ensinou ser condição necessária. Resiliência se resume aqui na capacidade de entender que nem todas as perguntas precisam necessariamente de uma resposta. No estágio seguinte a gente aprenderia a responder perguntas com outras perguntas abertas.

Por outro lado tem a terapia me dizendo a todo instante que preciso me posicionar, preciso parar de usar minha própria sobriedade contra mim mesma – na maioria das vezes eu não me importo com a pequenez das pessoas e até entendo que suas ações e pensamentos têm relação maior com o que elas projetam para si e eu não posso e nem devo tentar dar conta disso. Mas, de alguma forma, me incomoda ser avaliada o tempo todo por uma subjetividade de critérios duvidosos. Esse poder pequeno, que deduzem me interessar, está na verdade a léguas de distância do que realmente pretendo, mas não sei mais de que forma comunicar isso nem o que me acrescentaria.

Agora entendo o que a Danny Barradas me disse, numa entrevista maravilhosa, sobre a sua condição de trans: “Nós, que pertencemos a grupos estigmatizados, precisamos ser o melhor em tudo o que fazemos”. Na hora achei a afirmação problemática por poder ser interpretada como reforço de um preconceito, mas agora, conectando tudo, entendo o que ela quis dizer. Não basta sermos apenas boas. Temos que ser excelentes. Não basta sermos inteligentes – temos que ser bonitas também. Não basta sermos profissionais se abrimos mão da maternidade. Quer dizer, nem o direito ao próprio corpo, aquilo que tenho de mais meu no mundo, me é dado – o papel de elevador da humanidade me foi imposto desde a hora em que nasci, do ventre da minha mãe, que, por acaso, também não pôde ser só dela.

As tenistas mulheres do filme, lá nos anos 70, não podiam se dar ao luxo de apenas jogar: para romper com a Associação de Tênis dos Estados Unidos, que pagava aos homens 9x o valor do cachê feminino, elas tiveram que montar a própria liga, vender ingressos, buscar patrocínio, porque somente ser boa no que faziam não era suficiente.

Me sinto cansada como a Billie Jean King na quadra – a dor de não poder ser quem se é, ser a todo instante subestimada e ter que carregar o receio de ser punida por uma sociedade opressora, de algum modo, simplesmente por deixar escapar qualquer tipo de emoção. Tenho vontade de gritar que absolutamente tudo o que um homem faz, nós conseguimos fazer mais, de forma melhor, gentil e mais organizada, mesmo sangrando (se você tiver bom senso vai entender que não se trata aqui de generalização). Vai chegar o dia em que todas nós, mulheres, vamos poder erguer a raquete sem sentir todo o peso da desigualdade – eu acredito.

 

 

2018, só vem

2017 quase 2018 e eu olhando pra três sementes de uva-verde ressequidas que completam agora o seu ciclo na minha carteira. Estou perplexa que talvez eu tenha conseguido realizar todos os três desejos proferidos mentalmente à meia noite, enquanto engasgava entre engolir a uva, abraçar os amigos e dar um gole de champanhe. Eu digo talvez porque só lembro com clareza de dois dos três desejos – o terceiro, por deus, se for o que eu tô pensando eu te perdoo, uva: era impossível mesmo.

O calendário começou a correr e eu fui estudar, fui ver o mar, fui pro sertão. Já vai fazer um ano e eu sigo na saudade de pegar a estrada, sem medo, sem pressa, sem ter porque ir e contente por ter pra onde voltar. Esse ano eu escrevi na mesma intensidade em que vivi, podemos ser francos, muita coisa esteve a volume máximo. Vi a Gal cantar Mal Secreto, fui ao cinema mais que o comum, terapia, trabalho, hambúrguer, yoga. Alguém se casou, um bebê nasceu, vi Mad Men, fui loira por um dia, só para lembrar que às vezes ousar é permanecer igual quando tudo é tão diferente. Viajei menos do que gostaria e mais do que eu poderia. Arranjei um novo emprego. Depois mais outro. E depois outro. Conheci pessoas tão legais que até neutralizaram algum encontro equivocado pelo meio do caminho.

Eu dei uma festa, mas depois disso eu fui a poucas, quase 0 festas – e me desculpe se você me convidou pra algum lugar que eu não fui, não foi pessoal. Pode-se dizer que eu virei alguém recatada e do lar, e não é por falta de esforço: eu cansei de me obrigar a ser alguém que se diverte, é uma disputa quase desleal entre meu quarto, meus livros e a pudim contra rolês estranhos (se formos deixar esse termo em 2017 eu invoco o movimento “não deixe o rolê morrer”) de músicas e rostos repetitivos. E você pode até argumentar que tenho ido a rolês errados, mas, ao que tudo indica, tenho escolhido os livros certos.

2013-2017

Esse ano eu não fiquei rica, mas prometo fortemente tentar no próximo. Pelo pouco que eu dormi e pela pose que eu banquei, era de se esperar um dezembro abastado – mas digamos que controle financeiro nunca foi exatamente o meu forte e eu encerro mais um ano fracassando na missão de interditar essa luana gastadora que habita em mim. Vocês vão ver, eu vou mudar. Em 2018 eu vou ser o tio Patinhas, me aguardem.

É engraçado porque eu puxo na memória e o flashback só me traz as viagens que eu não fiz, o inglês que eu não cursei, o artigo que não acabei. E isso diz tanto sobre mim que assusta. Há uma lógica totalmente burra em ser pessimista que é evitar sofrer adiante, nem que isso resulte em sofrer agora, durante e depois. Me vem na mente a certeza de que poucos sabem o duro que dei, a ideia de que entre acordar e dormir, eu só existi, eu só resisti, nem eu mesma sei dizer exatamente como eu consegui. Eu preciso o tempo inteiro do olhar do outro apontando e dizendo “ei, espera um pouco, parece que você deixou cair essas coisas boas aqui da sua sacola de existência”, e lá estou eu com o olhar pairando, séria e até um pouco triste, mas a verdade é que eu tô discretamente catando minhas conquistas espalhadas pelo chão.

Não precisa de reviravolta pra valer a pena. Nem revolução pra começar de novo. A mudança, ela acontece o tempo todo dentro de mim, todo dia, a todo minuto, silenciosa e quieta –  desconfie das pessoas muito certas de quem são, elas provavelmente estão enganadas pela própria história que inventaram sobre si. Na contramão disso, esse ano todo, tudo que eu tentei foi me desinventar, me desconhecer, me tornar uma estranha a ponto de criar uma nova versão de mim, só pelo prazer de desfazer e levantar de novo, e de novo, e quem sabe, novamente. Erguida da dor, disposta a viver, mesmo que isso não signifique nada além de deixar ir e crescer. Manda o que tiver aí, 2018 – eu quero te conhecer.

Love is a losing game

Há um ano dói todo dia.

Desculpa decepcionar você que veio até esse texto esperando uma história com final feliz ou de superação. Não vai rolar. Ao menos, não por hoje. Acho que é preciso esclarecer que a minha escrita vem da dor. E isso não é um problema para mim. Não que eu tenha virado um poço de sofrência. Mas escrever é elaborar, é terapêutico. Foi a forma que eu encontrei de entender melhor as coisas.

No dia 17 de novembro do ano passado eu saí de casa. Não lembro que dia da semana era mas eu tinha virado a noite chorando sozinha naquilo que só depois eu entenderia ser uma das muitas crises de ansiedade que eu tive. Eu completava 30 dias na solidão daquele apartamento, que já nem tinha nada de mim e que, na teoria, eu dividia com um “noivo”.

Eu fui, fui embora sim. Eu estava magoada, desamparada, fragilizada, sozinha numa relação onde eu não era mais nem considerada – minhas opiniões, como eu me sentia a respeito dos fatos e dos acontecimentos era absurdamente irrelevante. Eu era desrespeitada, desmoralizada. Mas nada disso doeu mais do que o momento em que eu constatei o que tava tão na cara: eu não era mais amada.

Aí eu fui, né. Não sabia muito bem pra onde nem porquê, mas eu sentia que alguma coisa eu tinha que fazer. E quando ele voltou pra casa, o meu “noivo”, eu não estava lá e nada mais foi como antes, porque já não era. Depois desse episódio eu fiz uma tentativa estúpida e vergonhosa de retorno. Não tinha mais link, não dava liga. Tava tudo incrivelmente acabado e eu só não sabia o que fazer com todo aquele amor.

Nos dias que se seguiram eu parecia viver uma vida que não era minha. Estava tudo meio fora do lugar e levou muitas semanas até a ficha cair. De cabeça agora eu lembro da vez que nos encontramos pra jantar e decidir sobre nossos rumos e a conversa foi se estendendo e ficando boa – ele só falava dele, mas eu gostava de ouvir – e a gente foi parar sentado na calçada de um bar fechado dividindo os bens – aquela frigideira que ninguém nunca usou, o sofá, a cama de casal – talvez você precise mais dela agora do que eu. Foi tudo muito racional e eu lembro que eu não queria ir embora – às vezes eu sou meio Joel, do Brilho Eterno, tentando me esconder em uma lembrança humilhante – mas eu fui. E nossos carros se encontraram no sinal fechado e não abri o vidro. Eu estava em cacos.

Nesse dia eu cheguei em casa sem respirar.

Essa sensação de quase morte se repetiria tanto, em tantas noites, que foi ficando comum. Era rotina trocar a noite pelo dia, ficar sem comer enquanto abdicava da vontade louca de ir contar a ele uma novidade, de ir pedir uma ajuda. E agora, o que fazer do meu amor? Eu me perguntava como era possível dessincronizar assim tão de repente, mesmo sabendo que não foi de repente. O fim do ano passado foi o pior e melhor fim de ano da minha vida. Eu me sentia em estilhaços, mas calorosamente acolhida e amada pelos meus amigos, que não deixaram eu ficar com a memória de um reveillón na fossa.

No dia 1º de janeiro, a primeira mensagem que li no celular foi dele: “Feliz ano novo, Lu”. Foi o começo da última conversa, as últimas palavras sem nenhum propósito. Eu fui absolutamente cruel e praguejei coisas desnecessárias. A vida seguia para ele mais depressa que pra mim e eu tava muito magoada pra entender que eu não tinha o que fazer quanto a isso. Era hora de cuidar de mim.

O ano só foi começar de fato em março, quando fui a Fortaleza fazer um concurso, caminhar na praia, me distanciar. Acabei voltando com o telefonema de um trabalho: eu tinha passado numa seleção que fiz numa manhã meio dopada, depois de exagerar na dose de remédios pra dormir. Aquela vaga acabou me botando de volta nos trilhos, foi a chance que eu tive de tentar trazer a vida pro lugar e eu agarrei com o restinho de coragem que havia me restado.

Não me perguntem de onde, no meio de tudo isso, eu tirei força pra terminar o meu mestrado. No fim do ano, em meio a depressão, separação, mudança, eu havia prorrogado o prazo mas agora era chegada a hora de voltar a escrever. Ajudou pensar na importância do que tinha que ser feito, e mesmo com todas as fragilidades, os perrengues, a vontade de morrer que eu tinha todo santo dia, eu fui lá e fiz. Minha terapeuta se emociona sempre que recapitulamos essa fase.

Ali pelo fim do primeiro semestre eu estava radiante. Era o meu melhor momento. Eu me sentia linda, leve, no auge. Eu tinha dois empregos onde eu era querida e valorizada. Arrumei um crush inteligente com quem era gostoso conversar – ele esteve comigo na véspera e no dia da defesa. Ai eu dei uma festa cujo slogan dizia tudo sobre o meu momento: “volte a brilhar”. Fazia muito sentido celebrar tudo aquilo naquele instante, que pena que foi tão efêmero.

Em um ano cabe tanta coisa, inclusive ser feliz. Eu me ocupei a maior parte do tempo, conheci pessoas novas e driblei coisas que me faziam mal, mesmo que isso tenha significado me afastar de gente que eu gostava verdadeiramente. Eu precisava parar de sofrer. Faz um ano e até hoje eu esbarro na rua com gente que pergunta “mas por que?”, e eu não sei dizer. Lembro do desespero que eu tinha de saber exatamente quando o amor acabou. Eu queria também poder respirar aliviada e estar pronta pra seguir em frente com convicção – porque até então, apesar deu ter ido embora (e me arrependo de não ter feito isso antes) simbolicamente ele já tinha ido. Ele já tinha ido há muito tempo.

Às vezes eu consigo sentir de novo o cheiro que tinha a nossa casa. Diariamente eu tropeço na ausência de alguma coisa que eu tinha e deixei pra trás – parece tudo fragmento de um passado tão distante que é quase uma outra vida. Quando a gente vai embora e bate a porta é tudo imensamente triste – é um mar de planos incompletos, de sonhos interrompidos, de expectativas arruinadas e eu nem sei dizer o que é que dói mais – talvez a soma disso tudo. Leva um tempo pra se saber só e ser feliz de novo – ajuda não se cobrar tanto para que passe rápido. Vão ter dias melhores, outros piores, mas vai levar o tempo que for preciso. E, em qualquer lugar do mundo, quando você fechar os olhos e não conseguir mais ver aquele rosto, vai ser bom, mas vai doer. Vai doer sim.

A vida é oca como a touca de um bebê sem cabeça

querida Camila,

já reparou que quando a gente acorda, todo dia, a gente tem a possibilidade de começar tudo de novo, de levantar tudo do zero, de, sei lá, ser outra pessoa se a gente quiser. É como se toda noite fosse réveillon – só que me parece que a gente amanhece sempre de ressaca, sobretudo na segunda-feira.

eu tava me lembrando dos dias que passamos só existindo. que bom que a gente sabe guiar um carro, que bom que inventaram o fast food, e que sorte a nossa existir carro (que não é nosso) e dinheiro (que até pode ser) ao mesmo tempo juntos para ir no fast food. você sabe o que eu vi na rua dia desses? um drive thru na farmácia. pra mim foi um tiro no peito, foi o fundo do poço – não estamos mais nem disfarçando o quanto somos uma sociedade doente, que acha que comprimidos podem nos levar em frente. é aspirina na janela, baby.

a gente vai morrer de qualquer jeito, não tem muito o que pirar. mas entre chegar e partir tem um intervalo de paisagens e encontros bonitos, que as vezes a gente quer ver, noutras nem tanto – e nem todas são belas, também. da tempo de recomeçar, tem espaço pra ser o que a gente quiser mesmo que não se tenha pretensão de ser nada.

estou mesmo cada vez mais convencida de que tudo o que a gente pode fazer é mudar a maneira como recebemos e sentimos as coisas. o outro, ah, o outro, camila… ele não tá a nosso alcance. ele é aquela imagem do horizonte distante que parece ao mesmo tempo tão perto. é estranho e até injusto que a gente precise tanto dele pra se definir – é sempre tão melhor as coisas que podemos controlar. os sentimentos, as crises, a dúvida, a angústia. queria poder não dar margem a imprecisão. “que eu seja leve”, pedi a uma pedra mágica que segue sendo peso de papel.

eu sei que te dói a quantidade de gente mal e você olhando do alto da sua própria dor de existir e pensando que queria salvar todo mundo. eu te vejo num bote baqueado e vc querendo resgatar a tripulação do titanic, mas não dá, veja você, as vezes demonstrar amor é também tentar se salvar – não se esqueça que as aeromoças botam as máscaras primeiro nelas.

o Caetano estava na tv dizendo que não somos tão estranhos ao futuro quanto pensamos. o futuro não é totalmente desconhecido, é uma série de possibilidades, de coisas que a gente intui – é preciso se ouvir, no entanto, no meio de tanto barulho por nada. no último sábado meu pai me disse pra ter paciência, que às vezes algo muito grande está bem perto de acontecer. eu achei que ele estava falando da vida, no campo das coisas reais e concretas. era sobre o sorteio da loteria.

Jeito felino

Há um mês a Pudim chegou lá em casa e agora colecionamos arranhões pelo corpo todo – apesar de doloridos, interpreto como marquinhas de amor.

Ela era uma bolinha de pelo que miava choramingando acuada. Se escondia de qualquer movimento e barulho. Tinha, talvez, duas semanas, quando a pegamos. Não tomava o leite, recusou a caminha, ignorou a caixa de areia. Deu zero bola para o brinquedinho que trazia um falso peixe em uma corda e nos custou 10 reais no pet shop.

Elegeu, ela mesma, o espaço entre o sofá e a parede como seu esconderijo – só parou de dormir ali quando descobriu as maravilhas de um ar condicionado. Levou dois dias para que as mães de primeira viagem descobrissem que ela precisava de uma mamadeira. Mamava igual um bebê no colo. Foi ficando manhosa e comilona. Algum tempo depois, Pupu, para os íntimos, passou a comer ração de filhote, que amaciamos com água morna e carinho. Começou finalmente a brincar com a cordinha do tal peixe.

Depois nossa Pupu, sorrateiramente, seguiu a explorar os demais cômodos. Descobriu que o mundo ia além da sala. Meu quarto passou a ser um parque de diversões. Sobe e desce caixas, brinca com cadarços (é absolutamente louca por sapatos), se enrosca no edredom, fone de ouvido, carregador, entra e sai debaixo do criado-mudo e caminha entre os travesseiros. É minha companheira de seriados, embora deteste não ser o centro das atenções. É comum ela subir em cima do notebook, socar a tela do celular com a patinha, morder livros e fazer tudo o que puder para retaliar o inimigo – nunca está disposta a dividir minha atenção com ninguém. Ela roda, roda e escolhe o lugar mais improvável para deitar-se: entre minha visão e o livro que tenho nas mãos, indiferente ao fato de que está atrapalhando algo e fazendo aquela cara de blasé.

pupu.png

     Tô nem aí pro teu netflix, humana.

É lindo quando acorda e caminha pela casa se espreguiçando, numa espécie de ginástica matinal felina. É a gata mais curiosa que eu conheço, fica a um triz de cair dentro da minha xícara de café todas as manhãs (um dia ela o derrubou no meu pijama novim). Passou a explorar o quarto da mamãe, com quem escolhe dormir agora quase sempre, persegue agarrando o pé, pendura-se na calça jeans, esconde-se atrás da porta para dar pequenos sustos com pulinhos. É a fase mais fofa e brincalhona. Ah, ela já curte o peixe. Na verdade, ela já o destruiu.

Fico olhando pra Pupu e pensando em quanto tempo perdi sem entender porque o mundo se rendeu aos gatos. Quanto tempo passei subestimando essas fofuras e repetindo argumentos vazios da turma contra-gatos, sabe-se deus por qual razão. Pudim é independente, amorosa e inteligente. Eu achava que a tínhamos salvado de morrer na rua, mas ela explica tudo com o olhar, aquelas duas bolotas azuis dizendo: “que sorte essa família teve quando a adotei”.

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